
Olá meninas, boa noite! O post que estou deixando aqui hoje não está terminado. Apenas postei a primeira parte dele hoje, e na quinta-feira irei colocar o final ok? Achei melhor já deixar avisado, senão poderia ficar meio sem sentido... Enfim, espero que gostem.. Como envolve muito do que eu venho sentindo, achei que poderia postar por aqui e quem sabe... Sei lá.. Deixa prá lá..
Beijos, e boa noite..
E foi então que apareceu a raposa:
- "Bom dia", disse a raposa
- "Bom dia", respondeu polidamente o principezinho (que se voltou, mas não viu nada)
- "Estou aqui", disse a voz.. "Debaixo da macieira"
- "Quem és tú?", perguntou o principezinho.. "Tú es bem bonita"
- "Sou uma raposa", disse a raposa
- "Vem brincar comigo", propôs o príncipe.. "Estou tão triste"
- "Eu não posso brincar contigo", disse a raposa.. "Não me cativaram ainda"
- "Ah! Desculpa", disse o principezinho.. E, após uma reflexão, acrescentou "O que quer dizer cativar?"
- "Tú não és daqui", retrucou a raposa.. "O que procuras?"
- "Procuro amigos", respondeu o príncipe.. "O que quer dizer cativar?"
- "É uma coisa muito esquecida" disse a raposa.. "Significa criar laços"
- "Criar laços?"
- "Exatamente" disse a raposa.. "Tú não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Tú não tens necessidade de mim, e eu não tenho necessidade de ti", disse a raposa.. E continuou:
- "Mas, se tú me cativas, teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo, e eu serei para ti a única no mundo".. Mas a raposa continuou sua idéia:
- "Minha vida é monótona, por isso me aborreço. Mas, se me cativas, minha vida será como que cheia de Sol. Conhecerei o barulho de teus passos, que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora, como música. E depois, olha! Vês, lá ao longe, o campo de trigo? Eu não como pão, o trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma, e isso é triste. Mas tú tens cabelos cor de ouro, então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo, que é dourado, fará-me lembrar de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo"..
A raposa, então, calou-se, e considerou muito tempo o príncipe..
- "Por favor, cativa-me!", disse ela
- "Bem quisera", disse o príncipe.. "Mas não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer"..
- "A gente só conhece bem as coisas que cativa", respondeu a raposa.. "Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho, nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tú queres uma amiga, cativa-me"..
- "Os homens esqueceram a verdade", disse a raposa.. "Mas tú não a deves esquecer".. E acrescentou "Tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".. "Anda, cativa-me"..
- Mas o que é preciso?", indagou o príncipe..
- "É preciso ter paciência", respondeu a raposa.. E explicou "Tú te sentaras, primeiro, um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto dos olhos, e tú não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. E, cada dia, sentarás mais perto"..
E, no dia seguinte, o principezinho voltou
- "Seria melhor que viesse sempre à mesma hora", disse-lhe a raposa.. "Se tú vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três horas começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta, agitada. Saberei o preço da felicidade".. E proseguiu "Mas, se vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração"..
- "Mas vais chorar?", indagou o principezinho..
- "Vou", retrucou a raposa..
- "Mas, então, não estás lucrando", disse o garoto..
- "Lucro sim", disse a raposa.. "Por causa da cor de teus cabelos, ao olhar o campo de trigo.. Tú estarás sempre presente em meu coração"..